14 de fevereiro de 2013

Metanálise recente aponta para a existência do fenômeno psi


Durante o feriado do Carnaval, enquanto parte considerável dos brasileiros corria atrás do trio-elétrico ou ensaiava passos nem-tão-tímidos ao som daquele mais novo hit do axé baiano, o Rhine Research Center publicou o mais recente volume do seu periódico científico, o Journal of Parapsychology.

Em um dos artigos ali apresentados, os pesquisadores Lance Storm (Faculdade de Psicologia da Universidade de Adelaide), Patrizio Tressoldi e Lorenzo di Risio (ambos do departamento de Psicologia Geral da Universidade de Padova) divulgaram os resultados do mais recente estudo que realizaram sobre a questão da percepção extra-sensorial.

Usando a ferramenta da metanálise -  método estatístico que envolve a análise combinada dos dados obtidos em diferentes estudos realizados sobre um mesmo tema,  e que ajuda a verificar, entre outras coisas, o “tamanho” de determinado efeito observado – os cientistas analisaram os dados obtidos em mais de 90 estudos sobre precognição, clarividência e telepatia, realizados em laboratórios independentes e publicados em periódicos científicos entre os anos de1987 e 2010

De modo a homogeneizar a amostra, foram incluídos na investigação apenas experimentos realizados no formato “escolha forçada”1, realizados com seres humanos, que tiveram um mínimo de dois sujeitos de pesquisa e cujo processo de randomização tenha sido realizado sem a participação direta de um experimentador ou participante. 

Os dados levantados apontaram um total de 812.626 tentativas, que resultaram em 221.034 acertos. Em um resultado condizente com investigações anteriores 2, a metanálise indicou a existência de um efeito psi pequeno, mas estatisticamente significativo, de 0,01 (Z = 4.86; p = 5.90 x 10(-7))

Os resultados discutidos no paper sugerem que estudos baseados em escolha-forçada tendem a produzir um efeito “psi” consistente, bastante acima do que seria esperado pelo simples acaso. Indicam, também, que o fenômeno observado aparentemente não constitui um artefato nem se deve a um desenho de pesquisa falho ou descuidado.

símbolos do Baralho Zener, um dos mais famosos
exemplos de experimento do tipo "escolha-forçada"

Também foi relatada uma aparente tendência de incremento no efeito psi ao longo do tempo, ou seja, o tamanho do efeito observado nas pesquisas de PES parece estar aumentando, de maneira linear, ao longo dos anos. Trata-se de um elemento interessante quando consideramos a constante evolução dos desenhos de pesquisa utilizados em parapsicologia ao longo das décadas, que nada devem em rigor ás ciências tidas como convencionais, como a medicina e à biologia. 

É claro que ainda há muito a ser entendido a respeito do fenômeno psi. Seu mecanismo de ação é certamente uma incógnita, e eventuais possibilidades de uso industrial ainda não passam de mera especulação. 

Ainda assim, parece cada vez mais difícil negar, com base em evidências de pesquisa, a existência desse fenômeno fugidio que ora denominamos “psi”. Após cento e trinta anos de investigações, e embora desacreditado pelo “mainstream”, ele insiste em se mostrar como real. Pequeno, é verdade, mas incomodamente real.

Seria o psi a base da próxima revolução científica? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos...

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1. Experimentos de escolha-forçada são aquele em que os “alvos” a serem percebidos extra-sensorialmente são previamente conhecidos pelos participantes, e constituem um leque limitado de possibilidades de escolha. O mais conhecido exemplo, difundido inclusive na cultura popular, é a “adivinhação” dos símbolos das cartas do Baralho Zener. 
2.  Metanálises anteriores sobre estudos de percepção extra-sensorial também indicaram a existência de um efeito pequeno, mas consistente. Sobre o tema, veja: 
-  Honorton & Ferrari (1989) – “Future Telling: a meta-analysis of forced-choice precognition experiments, 1935-1987, Journal of Parapsychology, 53, 281-308; 
- Tart (1983) “Information acquisition rates in forced-choice ESP experiments: Precognition dos not work as well as present-time ESP”. Journal of the American Society for Psychical Research, 77, 293-310;
- Steinkemp, Milton e Morris (1998) “A meta-analysis of forced-choice experiments comparing clairvoyance and precognition”. Journal of Parapsychology, 62, 193-218.

8 de fevereiro de 2013

Médicos brasileiros estudam a neurofisiologia da mediunidade


No final do ano passado, os brasileiros Júlio Fernando Peres (Universidade da Pensilvânia), Alexandre Moreira Almeida  (Universidade Federal de Juiz de Fora) e Frederico Leão (Universidade de São Paulo) publicaram os resultados daquela que é considerada a primeira investigação neurocientífica do transe mediúnico já realizada. 

A pesquisa enfoca a chamada psicografia, uma das formas de mediunidade através da qual, alegadamente, uma “entidade espiritual” escreve através das mãos de um indivíduo, popularmente chamado de “médium”. 

No estudo, os cientistas brasileiros tentaram avaliar se o estado dissociativo causado pelo transe mediúnico está associado a alterações específicas de atividade cerebral, diferentes daquelas encontradas durante o processo normal de escrita. 

Para isso examinaram dez médiuns psicógrafos brasileiros, cujas experiência variam de 15 a 47 anos de prática e que produzem de 2 a 18 textos psicografados a cada mês. Todos eles se encontravam em boa saúde mental – foram investigados através de diversos inventários médicos, que avaliam desde sintomas de depressão e ansiedade à traços de personalidade borderline – e foram considerados bem ajustados social e profissionalmente. 

Os médiuns foram divididos em dois grupos: psicógrafos “experientes”, composto por praticantes com maior tempo de exercício na atividade e maior quantidade de textos produzidos; e “menos experientes”, que praticam a escrita psicográfica há um período menor e produzem poucos textos por mês. Durante um período de dez dias, cada um deles foi submetido, em ordem aleatória, a tarefas ora de psicografia (escrita automática, em estado de transe), ora de escrita normal (tarefa-controle). Durante esses períodos, suas atividades cerebrais foram monitoradas por meio de neuroimagem, obtida através de um exame conhecido como tomografia por emissão de pósitrons. 

Os textos redigidos durante o experimento – tanto em condições normais quanto em estado de transe mediúnico – foram posteriormente enviados para análise de uma especialista em língua e literatura, que averigou critérios gramáticos e estilísticos, e atribuiu a cada texto notas de 1 (pobre) a 4 (muito bom).

O primeiro e interessante aspecto observado pelos investigadores foi que os textos redigidos sob influência mediúnica mostraram-se mais complexos e melhor elaborados do que aqueles escritos de maneira consciente, sob condições consideradas normais. 

Ainda mais intrigante, no entanto, foi o resultado das tomografias. Médiuns de ambos os grupos apresentaram, durante o processo de psicografia, atividades cerebrais notadamente menores do que aquelas apresentadas sob condições normais. Vale dizer que esse fato contraria significativamente a expectativa, afinal, se os textos redigidos sob transe mediúnico foram mais complexos do ponto de vista linguístico, era de se esperar a presença de maior atividade cerebral durante esses momentos. 

Outro fato verificado é que os indivíduos do grupo dos “menos experientes” apresentaram maior atividade cerebral nas regiões citadas do que o grupo dos “experts”, particularmente no hemisfério cerebelar esquerdo, hipocampo esquerdo, giro occipital inferior esquerdo, cíngulo anterior esquerdo, giro temporal superior direito e giro pré-central direito. Novamente, contratou-se o efeito contrário ao que seria esperado. 


Os resultados, representados no gráfico acima, demonstram a maior ativação de áreas ligadas a processos cognitivos que se dá no segundo grupo. É. possível, como lembram os pesquisadores, que essa maior atividade se dê como decorência do suposto maior esforço necessário aos indivíduos desse grupo para exercer sua função - é como se indivíduos menos experientes tivesses que “se esforçar mais” para exercer sua atividade. O cérebro dos “experts”, por sua vez, parece fazer um uso mais eficaz das regiões cerebrais, o que é condizente com achados anteriores e pode explicar parte dos sinais observados. 

Não obstante, como os próprios autores pontuam durante a discusão dos resultados, a redução significativa de atividade neuroencefálica, especialmente em áreas próprias ao planejameto de escrita, observada entre os médiuns experientes durante a psicografia, é consistente com a noção de escrita automática (inconsciente), assim como à alegação de que uma outra “fonte”, externa a si próprio, estava planejando o conteúdo a ser escrito. 

Além do mais, os resultados obtidos parecem incompatíveis com a idéia de que os médiuns do primeiro grupo estivessem fingindo, atuando ou utilizando quaisquer elementos de prestidigitação – explicações comumente utilizadas para negar veracidade ao fenômeno. Fosse esse o caso, circuitos neurais ligados à criação e planejamento seriam utilizados e apareceriam nos exames.   

Embora não conclusivo, o estudo dos médicos brasileiros sugere a importância da colaboração entre diferentes linhas de pesquisa para uma compreensão mais profunda dos processos de dissociação. 

Esforços como esse parecem indicar que explicações corriqueiras, usualmente reduzidas à patologia ou à simples enganação, não mais são suficientes para dar conta de uma realidade vasta, multifacetada e complexa como o é a consciência humana.

O artigo original dos pesquisadores brasileiros, publicado no periódico PLOS ONE, pode ser acessado em sua íntegra, em inglês, aqui. A jornalista Denise Paraná, pós-doutoranda em ciências humanas pela Universidade de Cambridge, acompanhou de perto as investigações e escreveu uma matéria para a Revista Época que pode ser acessada aqui

7 de fevereiro de 2013

Pesquisadora inglesa investiga a tradição psíquica tibetana



A britânica Serena Roney-Douglas é uma das pouquíssimas pesquisadoras do Reino Unido com titulação na área da pesquisa psíquica. Doutora em parapsicologia pela Universidade de Surrey, ela estuda o tema há cerca de 30 anos, tendo publicado livros e artigos que abordam a tradição mística do Oriente sob o enfoque da cultura científica ocidental.  


Serena, que também ensina parapsicologia no Bihar Yoga Bharati, instituto hindu que combina métodos e abordagens de ambos os hemisférios, recentemente publicou um breve artigo no qual sintetiza o estágio inicial de sua pesquisa com meditadores de tradição tibetana, que vem realizando na Índia.

No artigo,  amplamente baseado em entrevistas que realizou com lamas da região, explora a relação entre a capacidade de meditação e a consciência psíquica do praticante budista, e nos fornece um interessante panorama sobre as múltiplas facetas da presença de fenômenos paranormais entre os tibetanos. 

Relata, por exemplo, sobre o uso do oráculo - prática mediúnica de “comunicação espiritual” que é utilizada até mesmo pelo Dalai Lama e membros do governo oficial; explica o uso disseminado de práticas divinatórias como a “Adivinhação Mu"; e clarifica importantes aspectos do uso da meditação, prática central da tradição psíquica tibetana.

A respeito da presença de habilidades paranormais, ressalta que fazem parte da tradição tibetana e surgem como decorrência natural da prática meditativa. Ao longo do caminho para a iluminação, os monges dessa tradição se deparam com o surgimento de faculdades como o Dibba-cakkhu (clarividência), Dibba-sota (clariaudiência) e Mano-Maya-Kaya (projeção do “corpo astral”). 

Tais faculdades, segundo esclarece, não são incentivadas pela tradição, pois podem, em consequência do poder e deslumbramento inerentes à sua aquisição, corromper o praticante em seu caminho espiritual. Por essa razão, explica, a ênfase do budismo se dá no ensinamento e na verdade pessoal. 

Como conclusão, mostra que o próprio Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet, tem procurado incentivar a pesquisa científica das práticas budistas: 
“Estou bem ciente dos perigos advindos da junção entre crenças espirituais e qualquer sistema científico. Isso não significa que eu considere coisas como o oráculo ou a capacidade que alguns monges possuem de sobreviver a várias noites em condições de baixíssima temperaturacomo evidências de poderes mágicos. (...) Uma grande vigilância deve ser mantida a todo momento quando lidamos com áreas sobre as quais não ainda não temos um grande entedimento. É aqui, claro, que a ciência pode contribuir. Afinal de contas, nós apenas consideramos determinadas coisas misteriosas quando não as entendemos. (...) Através de treino mental, nós desenvolvemos técnicas para fazer certas coisas que a ciência ainda não consegue explicar adequadamente. Isso, portanto, é a base do suposto “mistério e magia” do Budismo Tibetano”  
A íntegra do artigo, publicado no site de sua instituição de pesquisa, pode ser acessado, em inglês, aqui. Para uma versão em português, obtida através da tradução automática do Google Translator, clique aqui.

Para aqueles que quiserem saber mais sobre o trabalho da pesquisadora inglesa, uma lista dos livros e artigos de sua autoria pode ser encontrada na página da Parapsychological Association. 

5 de fevereiro de 2013

Influente cientista francês fala abertamente sobre Parapsicologia


Recentemente um conhecido pesquisador francês causou surpresa e perplexidade ao falar abertamente, de maneira receptiva e “open-minded”, sobre as pesquisas científicas dos chamados fenômenos psíquicos.  

O cientista do qual falamos é Simon Thorpe, um simpático pesquisador francês de 50 anos, que atua como Diretor do Centro de Pesquisa em Cérebro e Cognição do CNRS, o maior e mais importante órgão de pesquisa francês, no qual passaram nada menos do que 18 laureados com o Prêmio Nobel e quase uma dezena de vencedores da Medalha Fields. 

Egresso de Oxford, onde estudou psicologia e fisiologia, e pós doutorado na área, Thorp tem pelo menos trinta anos de pesquisa pelo CNRS. Seu foco de investigação é a neurofisiologia dos sistemas visuais, assunto sobre o qual já publicou dezenas de artigos em alguns dos mais relevantes periódicos da área. 

Em recente apresentação proferida no INCOGU, associação francesa voltada à ciência cognitiva, Thorp não teve medo de tocar nesse tema considerado tabu pelo seus pares. Demonstrando razoável conhecimento da literatura da área, e atualizado em relação aos dados disponíveis, o francês apresentou um excelente panorama geral sobre as investigações científicas dos fenômenos paranormais, tal qual Radin fez em sua apresentação no Google Talk

O sucesso da exposição inspirou o cientista a preparar uma nova apresentação, similar àquela proferida no evento, que foi disponibilizada em seu canal pessoal do YouTube e que pode ser acessada, em inglês, aqui

Mais do que o conteúdo da apresentação, o que salta aos olhos é o fato de que mais um respeitado cientista “mainstream” vem à público chamar a atenção para os interessantíssimos dados obtidos em quase um século de pesquisa parapsicológica.  

Resta torcer para que esse tímido movimento siga seu curso e que mais e mais membros da tradicional academia ganhem coragem para deixar de lado o dogmatismo e passem a lidar, de maneira verdadeiramente científica, com os dados disponíveis nas investigações da área e suas eventuais implicações.  Não se trata, é claro, de “aceitar” teses ou dados experimentais, mas permitir-se olhar, com rigor e seriedade investigativa, para fenômenos que, se comprovados, tem o condão de alterar substancialmente nosso entendimento a cerca da realidade que nos cerca.

Morre Ingo Swann, o sensitivo mais pesquisado da história da parapsicologia


Nessa última sexta-feira, primeiro de fevereiro de 2013, o mundo da parapsicologia perdeu um de seus mais conhecidos (e investigados) sensitivos, o biólogo, artista e escritor Ingo Swann, então com 79 anos. 

Swann, o “mais testado porquinho-da-índia da parapsicologia”, como foi apelidado por um colega escritor, colaborou como sujeito em dezenas de experimentos científicos realizados por universidades, instituições privadas e governamentais,  incluindo o controverso Projeto Stargate, mantido pela Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana, que investigou o possível uso de faculdades parapsíquicas – especialmente a clarividência – para fins militares.

Apesar de atuar em diferente frentes da pesquisa parapsicológica, o foco de sua atuação deu-se sobre a visão remota, nome que adotou para referir-se à capacidade de observar eventos à distância, com os “olhos da mente”.   

Sobre o assunto, publicou diversos livros e alguns esparsos artigos em periódicos científicos. Com o advento da internet, instituiu uma página chamada Superpowers of The Human Biomind, por onde passou a veicular seus novos trabalhos e idéias sobre visão remota e o desenvolvimento dos potenciais parapsíquicos.

Sua autobiografia, chamada “Visão Remota – A Verdadeira Histórica”, foi  publicado diretamente na internet e inclui relatos sobre alguns dos mais conhecidos episódios de sua carreira, como sua participação em pesquisas militares, seu experimento de visão remota sobre o Planeta Júpiter (pouco antes da viagem da sonda Voyager) e o rompimento com a  Associação Americana de Pesquisas Psíquicas, com a qual colaborou durante muitos anos. A íntegra da obra pode ser acessada aqui

31 de janeiro de 2013

Nova conferência de Sheldrake disponível no YouTube

Agora no começo de janeiro, o autor e bioquímico inglês Rupert Sheldrake, conhecido como propositor da teoria da "Ressonância Mórfica", proferiu uma interessante palestra no Electric Universe 2013 Conference, evento promovido pelo Projeto Thunderbolt.

A apresentação tem como base seu último livro, The Science Delusion, onde procura desconstruir a idéia de que a ciência do nosso século já compreende os aspectos fundamentais da natureza da realidade.

Segundo o autor, a conferência, que foi disponibilizada integralmente no YouTube, representa uma ótima introdução aos assuntos abordados na obra. O registro do evento foi realizado em excelente qualidade e encontra-se disponível, em inglês, aqui (parte 1) e aqui (parte 2). 

13 de junho de 2012

A pesquisa psíquica nos laboratórios da Sony


Parece estranho pensar que uma empresa tradicional como a Sony já tenha estado diretamente envolvida com os chamados fenômenos psíquicos. 

Apesar de ser pouco difundida por aqui, a história sobre a incursão da gigante japonesa no terreno da pesquisa psi é conhecida e difundida pela comunidade parapsicológica, e alguns de seus detalhes foram publicados esparsamente na forma de artigos e notícias da época.

Tudo começou quando Yoichiro Saka, um experiente funcionário da empresa japonesa, formado em matemática e ciência da computação pela Universidade de Tokyo, levou ao conhecimento de Masaru Ibuka, um dos fundadores da Sony, a proposta de iniciar ali um departamento especial para estudar aquilo que os chineses chamam de “qi”, a energia vital. 

Ibuka, cujo interesse em medicina tradicional chinesa era conhecido por seus funcionários, aparentemente comprou a ideia e implementou uma linha de pesquisa sobre qi no laboratório de desenvolvimento e pesquisa da empresa.

Pouco depois, em novembro de 1991, um novo laboratório, conhecido pela sigle ESPER, foi estabelecido, dessa vez com o propósito de investigar a existência dos fenômenos psi e sua possível aplicabilidade industrial. Saka foi imediatamente investido como diretor e cinco funcionários foram destacadas para tocar operacionalmente o projeto.

Segundo descrições da época, o laboratório ESPER, um codinome para “Extrasensory Perception and Excitation Research” (Pesquisa em Percepção Extra-Sensorial e Excitabilidade) teve como objeto de investigação uma ampla gama de fenômenos parapsicológicos, como telepatia, psicocinese e clarividência. 

A iniciativa da Sony foi envolvida em parcimônia e acentuada discrição. Somente veio a público em 1995 quando, em entrevista à revista de tecnologia Wired, o executivo Mika Ishida, então responsável pela comunicação institucional da empresa, confirmou a existência do projeto.

Segundo esclareceu, o objetivo principal da pesquisa comandada por Sako era "alongar os limites e definições da chamada ciência tradicional". Afirmou ainda a possibilidade de haver um novo sistema de comunicação em jogo, um sistema que "transmite dados atravês de meios nunca antes considerados". Era o que estavam tentando descobrir. 

Em junho de 1997, durante o 16. Encontro Anual da Society for Scientific Exploration (Sociedade de Exploração Científica) o líder do projeto de pesquisas psi da Sony, Yoichiro Saka, proferiu uma apresentação sobre o trabalho desenvolvido por ele no laboratório da multinacional.

De acordo com suas próprias palavras, que ainda podem ser conferidas no programa do evento, a existência de potênciais psíquicos havia sido efetivamente demonstrada pelos experimentos conduzidos:

"Atravês dos resultados destes experimentos, eu provei que esse tipo de clarividência pode, de fato, existir  e apontei a existência  de uma  sistema desconhecido de informação.  Eu considero que os  resultados de minha pesquisa podem ajudar a trazer  uma significativa revolução que pode  virar nossa sociedade materialista do avesso e concomitantemente remodelar os caminhos da ciência e tecnologia modernas".

Durante a conferência, narrada em detalhes pelo escritor e editor de livros sobre fenômenos anômalos Patrick Huygue (uma cópia da reportagem original foi postada aqui), Sako descreveu com minúcias algumas das pesquisas desenvolvidas pelo laboratório. Segundo o relato, o maior sucesso foi obtido na área da visão remota (clarividência), e um sujeito em especial - uma menina japonesa de dez anos - aparentemente conseguiu resultados altamente significativos.

No ano que sucedeu a conferência, após um período de sete anos de pesquisas, as portas do ESPER foram oficialmente fechadas. O encerramento do projeto deu-se em  julho de 1998, pouco após a morte de seu instituidor, o fundador Massaro Ibuka.

Na época, uma declaração oficial da empresa foi publicada na edição de 07 de julho de 1998 do jornal asiático South China Morning Post. Nela, a Sony confirmou que as pesquisas desenvolvidas no laboratório ESPER demonstraram a existência das habilidades psíquicas, mas deixou claro que não obteve qualquer sucesso em viabilizar a aplicação industrial dessa descoberta.

"Nós descobrimos experimentalmente que sim, PES existe, mas nenhuma aplicação prática desse conhecimento pode ser antevista para um futuro imediato. (...) Nós não conseguimos detectar o qi por meio de equipamentos; aparentemente, somente pessoas conseguem detectá-lo. Armazenar tal energia em baterias parece uma hipótese demasiado remota para justificar maiores pesquisas".
Masanobu Sakaguchi, porta-voz da Sony


Como os dados completos das investigações do ESPER nunca vieram a público, a comunidade parapsicológica nada pôde pronunciar sobre a confiabilidade dos resultados aclamados por Sako. 

No entanto, o fato de uma empresa como a Sony ter investido oito anos na área soa, para alguns, bastante sugestivo. Afinal, é difícil imaginar que uma corporação tivesse continuado a empregar fundos em pesquisas como essa, se os resultados obtidos tivessem se mostrado desfavoráveis. 

Resta torcer para que a história completa ainda venha a conhecer a luz do dia.