7 de fevereiro de 2013

Pesquisadora inglesa investiga a tradição psíquica tibetana



A britânica Serena Roney-Douglas é uma das pouquíssimas pesquisadoras do Reino Unido com titulação na área da pesquisa psíquica. Doutora em parapsicologia pela Universidade de Surrey, ela estuda o tema há cerca de 30 anos, tendo publicado livros e artigos que abordam a tradição mística do Oriente sob o enfoque da cultura científica ocidental.  


Serena, que também ensina parapsicologia no Bihar Yoga Bharati, instituto hindu que combina métodos e abordagens de ambos os hemisférios, recentemente publicou um breve artigo no qual sintetiza o estágio inicial de sua pesquisa com meditadores de tradição tibetana, que vem realizando na Índia.

No artigo,  amplamente baseado em entrevistas que realizou com lamas da região, explora a relação entre a capacidade de meditação e a consciência psíquica do praticante budista, e nos fornece um interessante panorama sobre as múltiplas facetas da presença de fenômenos paranormais entre os tibetanos. 

Relata, por exemplo, sobre o uso do oráculo - prática mediúnica de “comunicação espiritual” que é utilizada até mesmo pelo Dalai Lama e membros do governo oficial; explica o uso disseminado de práticas divinatórias como a “Adivinhação Mu"; e clarifica importantes aspectos do uso da meditação, prática central da tradição psíquica tibetana.

A respeito da presença de habilidades paranormais, ressalta que fazem parte da tradição tibetana e surgem como decorrência natural da prática meditativa. Ao longo do caminho para a iluminação, os monges dessa tradição se deparam com o surgimento de faculdades como o Dibba-cakkhu (clarividência), Dibba-sota (clariaudiência) e Mano-Maya-Kaya (projeção do “corpo astral”). 

Tais faculdades, segundo esclarece, não são incentivadas pela tradição, pois podem, em consequência do poder e deslumbramento inerentes à sua aquisição, corromper o praticante em seu caminho espiritual. Por essa razão, explica, a ênfase do budismo se dá no ensinamento e na verdade pessoal. 

Como conclusão, mostra que o próprio Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet, tem procurado incentivar a pesquisa científica das práticas budistas: 
“Estou bem ciente dos perigos advindos da junção entre crenças espirituais e qualquer sistema científico. Isso não significa que eu considere coisas como o oráculo ou a capacidade que alguns monges possuem de sobreviver a várias noites em condições de baixíssima temperaturacomo evidências de poderes mágicos. (...) Uma grande vigilância deve ser mantida a todo momento quando lidamos com áreas sobre as quais não ainda não temos um grande entedimento. É aqui, claro, que a ciência pode contribuir. Afinal de contas, nós apenas consideramos determinadas coisas misteriosas quando não as entendemos. (...) Através de treino mental, nós desenvolvemos técnicas para fazer certas coisas que a ciência ainda não consegue explicar adequadamente. Isso, portanto, é a base do suposto “mistério e magia” do Budismo Tibetano”  
A íntegra do artigo, publicado no site de sua instituição de pesquisa, pode ser acessado, em inglês, aqui. Para uma versão em português, obtida através da tradução automática do Google Translator, clique aqui.

Para aqueles que quiserem saber mais sobre o trabalho da pesquisadora inglesa, uma lista dos livros e artigos de sua autoria pode ser encontrada na página da Parapsychological Association. 

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